quarta-feira, 2 de junho de 2010

PENTECOSTES E O NOSSO "AMÉM"

Em um post anterior eu comentava a Festa da Ascensão a partir do “oremos” da missa do dia. Hoje quero partilhar algumas coisas sobre pentecostes, a partir do primeiro “oremos” da missa de Pentecostes.
“Ó Deus, que, pelo mistério da festa de hoje, santificais a vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo e REALIZAI AGORA, NO CORAÇÃO DOS VOSSOS FIÉIS, AS MARAVILHAS QUE OPERASTES NO INÍCIO DA PREGAÇÃO DO EVANGELHO”.
Bom, mais uma vez vamos aqui com o mesmo raciocínio da Ascensão, “Lex orandi, Lex credente”. Em primeiro lugar quero constatar que nós todos dissemos AMÉM (eu creio, eu aceito) depois que o sacerdote terminou o oremos. Ou alguém teve notícias de alguma celebração onde alguma pessoa levantou a mão lá do meio e disse “pera aí padre, eu não concordo com isso aí não, eu não digo Amém!”. Claro que não!! Todos ouvimos o oremos e dissemos, Amém.
Portanto, ao dizer este “amém”, nós dissemos que Pentecostes é HOJE! Dissemos que nós queremos um Pentecostes HOJE! E que este pentecostes que queremos, nós o queremos do jeitinho que aconteceu lá em Jerusalém! Ou seja, com curas, milagres, dom de línguas, pregação profética na boca de nossos pastores! Que queremos HOJE uma efusão tal do Espírito que as pessoas fiquem perplexas, e até mesmo nos considerem loucos ou bêbados, como aconteceu naquele dia!
Infelizmente a maioria de nós não quer dizer “Amém” para um Pentecostes assim. Preferimos continuar defendendo, argumentando e fazendo teologia a favor de um Pentecostes sem fogo, que em nada lembra o Pentecostes bíblico, isto quando não negamos os relatos bíblicos ou o consideramos apenas acontecimentos “necessários para o início da Igreja”.
Estou exagerando? Acho que não... Como foi sua missa de Pentecostes? Tudo bem, deixemos de lado o aspecto “carismático” da minha argumentação. Mas você conseguiu sentir um pouco desse fogo de Deus? Ou deu graças a Deus pela missa ter acabado e não ter passado de uma hora?
A verdade é que muitos de nós estamos nos arrastando na fé. Ainda estamos com as portas fechadas, com medo do mundo! Tímidos, fracos e cheios de dúvidas se ainda vale a pena estar com Jesus, se ainda vale a pena estar nesta Igreja! Precisamos deixar que o fogo desça, que Ele venha do jeito dele, mesmo sabendo que Ele vai quebrar nosso jeito “maduro” de pregar, rezar, ler a Bíblia e de fazer pastoral.
Muitos ao lerem Atos dos Apóstolos acham tudo aquilo lindo, mas suspira dizendo: “isso foi lá no início, foi importante no início da Igreja, hoje não precisamos mais destas coisas”, ou talvez sintamos uma santa inveja da ousadia daqueles discípulos e pensamos “bom, mas ele era Pedro né”. Se você nunca disse isso, com certeza já ouviu e ouviu da boca de quem não deveria. Acontece que esta nostalgia não é a fé da Igreja! A fé da Igreja pede um Pentecostes HOJE, com os MESMOS SINAIS E MARAVILHAS DO INÍCIO DA PREGAÇÃO DO EVANGELHO!
Estamos todos de acordo que é preciso evangelizar, que a missão da Igreja continua e essa missão é levar o Evangelho a todas as nações. Não seria bem mais inteligente se evangelizássemos hoje com as mesmas “ferramentas” da Igreja nascente? Estas “ferramentas” são os dons e os carismas do Espírito e o melhor método de evangelização é levarmos todos os que crêem a uma experiência pessoal com o Espírito Santo! Foi assim que a Igreja nascente fazia! Ou por acaso hoje é mais fácil evangelizar do que foi no início? Ser cristão hoje requer a mesma “Força do Alto” que os Apóstolos precisavam. Os tempos mudaram, mas a realidade da necessidade da conversão ainda é e sempre será a mesma. A doença da humanidade ainda é e sempre será o pecado, portanto o remédio não muda, “pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor, nosso Deus, chamar”(At 2,3).
Jesus disse que os discípulos receberiam a “Força do Alto” para serem suas testemunhas, “pois João batizou com água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo”. Eles receberam a força do alto e manifestaram os carismas do Espírito, nós também devemos querer receber a força do alto e manifestar os carismas!
“Então os discípulos foram anunciar a Boa Nova por toda a parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra pelos sinais que a acompanhavam” (At 16,20).

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