quarta-feira, 2 de junho de 2010

BATISMO NO ESPÍRITO, uma pergunta e um convite de BENTO XVI

“Será que vamos descobrir o segredo do primeiro Pentecostes na Igreja? Será que vamos oferecer-nos humildemente ao poder renovador do Espírito Santo para que Ele possa nos libertar da nossa pobreza e da nossa total incapacidade de realizar a tarefa de anunciar Jesus Cristo aos nossos semelhantes? O Cenáculo é o lugar onde os cristãos se deixam, ao acolher o Espírito Santo, ser transformados pela oração. Mas é também o lugar de onde saímos para levar o fogo de Pentecostes aos irmãos e irmãs”(Cardeal Ratzinger, 1992, revista ‘New Covenant’)


Bento XVI, no seu discurso do Domingo de Pentecostes de 2008: “Hoje eu gostaria de estender esse convite a todos: vamos redescobrir, queridos irmãos e irmãs, a beleza de sermos batizados no Espírito Santo; sejamos mais conscientes do nosso batismo e da nossa confirmação, fontes de graças que estão sempre presentes. Peçamos à Virgem Maria que obtenha um renovado Pentecostes para a Igreja também hoje, um Pentecostes que disseminará entre todos a alegria de viver e testemunhar o Evangelho”. O Santo Padre explicou que a efusão do Espírito Santo no Pentecostes foi “o momento culminante de toda a missão de Jesus”, o dom pelo qual Ele morreu e ressuscitou para nos dar.
Em outra ocasião, o papa afirmou que “toda a missão de Cristo se resume nisto: batizar-nos no Espírito Santo, para nos libertar da escravidão da morte para abrir o céu para nós”.
Obs: certamente não se pode presumir que o Papa Bento XVI estivesse usando a frase bíblica “batizar no Espírito Santo”, exatamente como a Renovação Carismática o usa hoje. No entanto, ele está claramente chamando por uma renovação da graça do batismo e da confirmação de uma maneira que está diretamente ligada ao derramamento do Espírito em Pentecostes. Além disso, ele está bem ciente do uso deste termo na Renovação, da graça que tem transformado a vida de tantos milhões de cristão.

PENTECOSTES E O NOSSO "AMÉM"

Em um post anterior eu comentava a Festa da Ascensão a partir do “oremos” da missa do dia. Hoje quero partilhar algumas coisas sobre pentecostes, a partir do primeiro “oremos” da missa de Pentecostes.
“Ó Deus, que, pelo mistério da festa de hoje, santificais a vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo e REALIZAI AGORA, NO CORAÇÃO DOS VOSSOS FIÉIS, AS MARAVILHAS QUE OPERASTES NO INÍCIO DA PREGAÇÃO DO EVANGELHO”.
Bom, mais uma vez vamos aqui com o mesmo raciocínio da Ascensão, “Lex orandi, Lex credente”. Em primeiro lugar quero constatar que nós todos dissemos AMÉM (eu creio, eu aceito) depois que o sacerdote terminou o oremos. Ou alguém teve notícias de alguma celebração onde alguma pessoa levantou a mão lá do meio e disse “pera aí padre, eu não concordo com isso aí não, eu não digo Amém!”. Claro que não!! Todos ouvimos o oremos e dissemos, Amém.
Portanto, ao dizer este “amém”, nós dissemos que Pentecostes é HOJE! Dissemos que nós queremos um Pentecostes HOJE! E que este pentecostes que queremos, nós o queremos do jeitinho que aconteceu lá em Jerusalém! Ou seja, com curas, milagres, dom de línguas, pregação profética na boca de nossos pastores! Que queremos HOJE uma efusão tal do Espírito que as pessoas fiquem perplexas, e até mesmo nos considerem loucos ou bêbados, como aconteceu naquele dia!
Infelizmente a maioria de nós não quer dizer “Amém” para um Pentecostes assim. Preferimos continuar defendendo, argumentando e fazendo teologia a favor de um Pentecostes sem fogo, que em nada lembra o Pentecostes bíblico, isto quando não negamos os relatos bíblicos ou o consideramos apenas acontecimentos “necessários para o início da Igreja”.
Estou exagerando? Acho que não... Como foi sua missa de Pentecostes? Tudo bem, deixemos de lado o aspecto “carismático” da minha argumentação. Mas você conseguiu sentir um pouco desse fogo de Deus? Ou deu graças a Deus pela missa ter acabado e não ter passado de uma hora?
A verdade é que muitos de nós estamos nos arrastando na fé. Ainda estamos com as portas fechadas, com medo do mundo! Tímidos, fracos e cheios de dúvidas se ainda vale a pena estar com Jesus, se ainda vale a pena estar nesta Igreja! Precisamos deixar que o fogo desça, que Ele venha do jeito dele, mesmo sabendo que Ele vai quebrar nosso jeito “maduro” de pregar, rezar, ler a Bíblia e de fazer pastoral.
Muitos ao lerem Atos dos Apóstolos acham tudo aquilo lindo, mas suspira dizendo: “isso foi lá no início, foi importante no início da Igreja, hoje não precisamos mais destas coisas”, ou talvez sintamos uma santa inveja da ousadia daqueles discípulos e pensamos “bom, mas ele era Pedro né”. Se você nunca disse isso, com certeza já ouviu e ouviu da boca de quem não deveria. Acontece que esta nostalgia não é a fé da Igreja! A fé da Igreja pede um Pentecostes HOJE, com os MESMOS SINAIS E MARAVILHAS DO INÍCIO DA PREGAÇÃO DO EVANGELHO!
Estamos todos de acordo que é preciso evangelizar, que a missão da Igreja continua e essa missão é levar o Evangelho a todas as nações. Não seria bem mais inteligente se evangelizássemos hoje com as mesmas “ferramentas” da Igreja nascente? Estas “ferramentas” são os dons e os carismas do Espírito e o melhor método de evangelização é levarmos todos os que crêem a uma experiência pessoal com o Espírito Santo! Foi assim que a Igreja nascente fazia! Ou por acaso hoje é mais fácil evangelizar do que foi no início? Ser cristão hoje requer a mesma “Força do Alto” que os Apóstolos precisavam. Os tempos mudaram, mas a realidade da necessidade da conversão ainda é e sempre será a mesma. A doença da humanidade ainda é e sempre será o pecado, portanto o remédio não muda, “pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor, nosso Deus, chamar”(At 2,3).
Jesus disse que os discípulos receberiam a “Força do Alto” para serem suas testemunhas, “pois João batizou com água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo”. Eles receberam a força do alto e manifestaram os carismas do Espírito, nós também devemos querer receber a força do alto e manifestar os carismas!
“Então os discípulos foram anunciar a Boa Nova por toda a parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra pelos sinais que a acompanhavam” (At 16,20).

TORNANDO-SE UM ABRAÃO!

Tornando-se um Abraão.

Na oração de Laudes (oração da manhã feita pelos religiosos e padres, contida na “Liturgia das Horas”) a leitura proposta era a do livro de Judite.

“Rendamos graças ao Senhor nosso Deus, que nos põe à prova como a nossos pais. Lembrai-vos de todo o que Ele fez com Abraão e Isaac, e do que aconteceu a Jacó. Pois, assim como os fez passar ao fogo, para perscrutar (examinar) o seu coração, da mesma forma ele não está se vingando de nós. É para advertir, que o Senhor flagela os que dele se aproximam”. “(JT 8,25-27”.

O que saltou aos meus olhos neste texto foi a forma como a Palavra nos compara com os grandes patriarcas da fé: Abraão, Isaac e Jacó. “Rendamos graças ao Senhor nosso Deus, que nos põe à prova como a nossos pais. Lembrai-vos de todo o que Ele fez com Abraão e Isaac, e do que aconteceu a Jacó.” O texto é claro ao nos indicar que devemos compreender as provações pelas quais passamos tendo como base e exemplo estes grandes homens. Portanto, você e eu podemos crer que Deus, ao nos permitir sermos provados como Abraão, quer fazer de nós um Abraão!
O texto diz que eles passaram pelo fogo, pois pelo fogo das contrariedades, tribulações e tentações, Deus os estava perscrutando (examinando), ou seja, purificando. Assim também acontece conosco: a prova de fogo de hoje é a correção, a purificação de Deus. E para quê? Para que você e eu cheguemos a estatura de um Abraão, de um Isaac, de um Paulo, de um Francisco de Assis, de uma Madre Tereza, etc.
A provação nos leva a darmos passos de fé, a apoiarmos nossa existência em Deus. Ele se utiliza da dor, da contrariedade, dos limites... essa é a pedagogia de Deus, esse é o seu método. Então rendamos graças ao Senhor que nos aplica seu método! Se é de Deus necessariamente é o melhor.
Todos nós podemos constatamos essa verdade: sempre saímos mais fortes, sábios e santos de uma provação. Portanto, podemos dizer sem medo de errar: SE DEUS ME PROVA COMO PROVOU ABRAÃO É PARA QUE EU ME TORNE UM ABRAÃO!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

SOBRE A FÉ, São Leão Magno, papa, séc V

Sobre a fé podemos falar muitas coisas. Existem muitos escritos interessantes e edificantes sobre o tema. Segue abaixo um pequeno trecho de uma homilia


"Nisto consiste, efetivamente, o vigor das grandes almas e a luz dos corações fiéis: crer, sem hesitação, naquilo que não se vê com os olhos do corpo, e fixar o desejo onde a vista não pode chegar. Como poderia nascer esta piedade, ou como poderíamos ser justificados pela fé, se a nossa salvação consistisse apenas naquilo que nos é dado ver?"

CHAMAS QUE SALVAM, bento XVI

Portanto, vale a pena deixar-se tocar pelo fogo do Espírito Santo! A dor que nos chega é necessária à nossa transformação. É a realidade da Cruz: não por acaso, na linguagem de Jesus, o “fogo” é sobretudo uma representação do mistério da Cruz, sem o qual não existe Cristianismo. Por isso, iluminados e confortados por estas palavras de vida, elevemos nossas invocações: vinde, Espírito Santo! Acendei em nós o fogo do Vosso amor! Saibamos que esta é uma oração audaciosa, com a qual pedimos ser tocados pelas chamas de Deus; mas saibamos sobretudo que estas chamas – e somente estas – têm o poder de nos salvar. Não queiramos, para defender a nossa vida, perder aquela Eterna que Deus nos quer doar. Nós temos necessidade do fogo do Espírito Santo, porque só o Amor redime. Amen!
Bento XVI

quarta-feira, 19 de maio de 2010

OS PECADOS SECRETOS

"FOI CONTRA VÓS, SÓ CONTRA VÓS QUE EU PEQUEI..."
No salmo 50 do rei Davi este versículo me saltou aos olhos. É um salmo penitencial, de um homem arrependido, que teve seu pecado descoberto. Davi adulterou, para encobrir seu adultério mandou matar o esposo da amante! Quando descoberto pelo profeta Natã cai em si e se humilha diante de Deus. É interessante este reconhecimento de Davi de que foi contra Deus, só contra Deus que ele pecou. O pecado de Davi também foi contra o próximo, mas a verdade é que sempre que pecamos, pecamos contra Deus em primeiro lugar, ainda que o nosso pecado atinja alguma pessoa diretamente.
Mas o que me chamou a atenção é que alguns dos nossos pecados podem ser realmente “só contra Deus”. Falo daqueles nossos pecados que ninguém sabe, pecados íntimos, que morremos de medo de sermos apanhados neles; aqueles pecados que alimentamos em nós e que as vezes fazem como que sejamos verdadeiros hipócritas.
Você já reparou que algumas pessoas só resolvem abandonar o seu pecado quando são descobertas? Quando sua fraqueza se torna pública? Algumas pessoas, por exemplo, irão viver no adultério até que seu cônjuge descubra!!!! Alguns viciados só pedirão ajuda quando a família ficar sabendo. Não é impressionante a capacidade que nós temos em ocultar nossos pecados? Guardá-los a sete chaves? Na verdade nosso maior medo é o de vermos nossas máscaras caindo!!! Tem muito desejo de conversão sendo movido e sustentado pelo orgulho!
É aqui que entra o trecho do salmo de Davi: “foi contra vós, só contra vós...” Ainda que ninguém saiba quem realmente somos, Deus sabe; ainda que ninguém veja onde temos ido, Deus vê. Isto deveria ser o suficiente para mover nosso desejo de conversão. Ainda que ninguém nunca fique sabendo e por isso mesmo talvez nunca venha a se ferir por aquilo que fazemos de errado (o que os olhos não vêem o coração não sente rsrsrsrs), Deus sabe e ele se entristece com o nosso pecado. Aqui a questão não é ficar com medo de castigo ou inferno. A questão é: você ama a Deus e que crê que Ele te ama? Então não o ofenda mais. Para de pecar não para que os outros continuem te admirando e pensando “... nossa como ele é religioso... não, ele nunca seria capaz de fazer uma coisa dessas...”. Pare de pecar porque o pecado machuca o coração de Deus, rompe nossa relação com Ele. Será que realmente nos importamos com isso??? Afinal, Deus é nosso amigo, nosso Salvador, ou apenas o banco onde vamos emprestar uma benção?
O Senhor espera e deseja de nós um relacionamento, “na intimidade me ensinais sabedoria”. Onde há ofensas não há relacionamento. Deus nos chama a mudança hoje e nós só temos a ganhar com isso. Não espere ser pego, não espere você virar notícia, vamos mudar hoje, o único que sabe da sua maior vergonha está interessado em te perdoar. Ele não julga, não faz fofoca, não se alegra com nossas fraquezas e quedas. Pecado confessado é pecado esquecido. Digamos hoje: “Senhor já basta, foi contra vós, só contra vós que eu pequei”.

A ASCENSÃO DE JESUS E NÓS

DOMINGO DA ASCENSÃO

Domingo passado (16/05) celebramos na liturgia a festa da “Ascensão de Cristo”, o dia em que ele subiu aos céus para junto do Pai, para derramar sobre a Igreja o Espírito Santo, no enviando como seus missionários e testemunhas.
Acredito que se o comentário inicial das missas desse fim de semana tivessem sido inspirados nas palavras de São Leão Magno, ou porque não as próprias palavras do Doutor da Igreja, muitos de nós teríamos celebrado com uma disposição interior melhor.

“...recordamos e celebramos aquele dia em que a humildade da nossa natureza foi exaltada, em Cristo, acima de toda a milícia celeste, sobre todas as hierarquias dos anjos, para além da sublimidade de todas as potestades, e associada ao trono de Deus Pai” (São Leão Magno, papa, séc.V).

Na Igreja temos uma “lei” que nos ajuda a entender o mistério da Ascensão: Lex orandi, Lex credente. “A lei da oração é a Lei da fé” e vice-versa. Isso quer dizer que rezamos conforme aquilo que cremos e o que cremos deve ser expresso na forma como rezamos. Ou seja, as orações da Igreja expressam sua fé e sua doutrina. Por isso temos verdadeiros tesouros nos “oremos” da missa, pois neles podemos encontrar pérolas de doutrina. O primeiro “oremos” da missa da Ascensão diz:

“Ó Deus todo-poderoso, a ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de seu corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória”

Jesus vive e reina para sempre ao lado do Pai. Toda a pessoa de Jesus vive e reina no céu, isso quer dizer que ele voltou para o céu com o seu corpo ressuscitado e glorioso. Isso significa que existe um corpo no céu, um corpo glorioso, como acontecerá conosco um dia, pois somos pelo batismo, membros do corpo de Cristo. O que aconteceu com Jesus acontecerá conosco: no último dia estaremos no céu por inteiro, nosso espírito e nosso corpo.
O oremos do pós-comunhão diz:

“Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedeis conviver na terra com as realidades do céu, fazei que nossos corações se voltem para o alto, onde está junto de vós a nossa humanidade”.

Parece mentira, mas é verdade, existe humanidade no céu! Jesus colocou humanidade no céu!!! Aquilo que somos, nossa humanidade, que não tem nada de divina, está no céu. Jesus abriu o caminho, ele voltou para o Pai, mas levou aquilo que é tão nosso, a nossa carne, a nossa humanidade. Deus não nos ama de longe, nos quer perto. Ele não desvaloriza ou despreza o que somos, nossa humanidade pecadora e corruptível, mas a assume e redime, a regenera, para que possamos estar com ele. Esta certeza redimensiona nossas dores e sofrimentos, transfigura o nosso modo de olhar um idoso sobre a cama, por exemplo. Aquele corpo fraco, doente, que se definha, foi desejado por Deus para estar junto com Ele, com a mesma plenitude e glória do corpo de Jesus.

(ah, que tal no próximo domingo prestarmos mais atenção ao que estamos dizendo “amém”?)